Crianças do Século 21

O que aconteceu com as crianças do Século 21?

A cada dia vemos uma sociedade que pede socorro em função das mudanças que ininterruptamente são percebidas e que remetem a um sentimento de impotência e, por vezes, medo, principalmente quando pensamos na criança. 

Hoje, o excesso de informação e a baixa tolerância por ouvir trazem ao cenário infantil uma cruel constatação: estamos perdendo as crianças. Mas por quê? 

  1. Criança precisa brincar, gastar energia, sorrir 

Vemos o contrário acontecendo. Cada vez mais o sedentarismo tem sido sustentado pelos diversos tipos de entretenimento virtuais, gerando nas crianças a possibilidade de mergulhar em mundos diferentes, contudo sem sair do sofá, ou o que é ainda pior: sem sair do quarto, da cama. 

A alegria e a descontração dão lugar ao estresse e à competitividade, afinal são tantas as opções para se provar que ela realmente consegue e pode vencer. 

Paga-se o preço do mau humor constante, da compensação imediata e da necessidade de ter sempre mais para que ela possa sentir-se incluída nesse grupo, no qual, poder é ter, e não ser. 

  1. Criança precisa de tempo para falar com quem ama 

 Durante o dia, os pais tido a preocupação de ocupar de forma intensa os horários da criança com diversas atividades extracurriculares (inglês, judô, ballet, natação, futebol, etc.), que podem ser interessantes desde que não “roubem” o período de descanso e a troca afetiva com os pais. 

Nosso mundo tecnológico e rápido traz com sutileza um distanciamento considerável da família, pois atrai e leva a atenção das crianças para os smartphonestablets, televisão e outros dispositivos eletrônicos que, na maioria das vezes, tiram o contato e a proximidade das conversas, dos detalhes e das descobertas. Os pais, assim, terceirizam o seu rico papel. 

  1.  Criança precisa de tempo para descansar  

Estabelecer uma rotina que respeite o horário de dormir (pelo menos oito horas diárias) é fundamental para produzir na criança mais energia corporal e cerebral, para a demanda de atividades que ela enfrentará no dia seguinte. 

Há necessidade de se compreender que, além do descanso, para abrir o espaço criativo e não tornar o pensamento da criança robotizado e previsível, é necessário o momento de compartilhar seus pensamentos, no qual ela pode relatar suas percepções do dia, que incluem medos, perguntas, e até mesmo o toque e a troca de carinhos com os pais. 

  1. Criança precisa construir cada fase de seu emocional sem pressa 

A turbulência imposta pela sociedade contemporânea atinge de forma direta o processo de desenvolvimento infantil, no qual podemos citar: cenas inapropriadas de novelas, desenhos e videogames extremamente agressivos, imposição de uma moda adulta, na qual se busca antecipar a sexualidade, acarretando a vivência precoce de estados que ainda são difíceis de absorver e/ou compreender, portanto, geradores de insegurança e de sensação de despreparo, sofrimento. 

  1. Criança precisa de limites que sejam absorvidos no ambiente familiar 

Em todos os cenários nos quais a criança convive (família, escola, clube, condomínio, etc.), o limite surge como ferramenta para estabelecer a harmonia, o respeito e, de fato, a construção da cidadania. 

A difícil balança que a maioria das famílias precisa equilibrar é o que se refere a tempo e qualidade de vida. Essa dura equação tem trazido aos pais medo e culpa, por isso eles, às vezes, temem uma palavra direta e contundente, evitando dizer “não” e, sem perceber, impedem o sentido de realidade que os grupos sociais cobrarão da criança. 

Mais uma vez, a insegurança toma proporção perigosa e temos o desajuste, a inquietação e, em alguns casos, uma aparente rebeldia como resposta a essa ausência de referências sólidas que deveriam embasar o comportamento da criança, inicialmente na família, para posteriormente preparem-na para a sociedade. 

Como então a família pode resgatar a infância verdadeiramente feliz, respeitando as reais necessidades da criança? 

A princípio, permitir o espaço de troca afetiva, mesmo que isso represente apenas alguns minutos do dia. Contudo, estar de fato presente e ali desfrutar da alegria do abraço, das confidências diárias e do momento de entrega que cada família saberá como preencher: histórias, jogos, arrumação, colo, etc.  

O importante é que esse período entre como rotina e permita a diminuição da culpa experimentada pelos pais e a construção de um vínculo sólido, embasado no amor que corresponde de forma direta ao alicerce emocional, que norteará o comportamento do filho em cada novo ambiente ou grupo social que ele conhecerá e integrará. 

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Keila Frassei

Psicóloga e Pedagoga

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