Nós seres humanos, passamos por diversas fases que levam-nos a mudar a visão e amadurecer de forma diversificada, desde o período da infância até a velhice.
O conceito de excelência acompanha-nos nessa jornada e traz a dura, mas importante missão de alcançarmos sempre a melhor performance nas diferentes áreas de nossa vida.
Quando uma criança está prestes a completar seis anos de idade, vive um de seus maiores conflitos, pois incorpora o medo e ao mesmo tempo o desejo de decifrar o código linguístico para então ouvir a esperada frase: Meu filho(a) está alfabetizado(a).
Mas quais são os caminhos para que essa trajetória seja de alegria e não de dor, angústia?
Segundo Emília Ferrero: “Um dos maiores danos que se pode causar a uma criança, é leva-la a perder a confiança na sua própria capacidade de pensar”.
Durante o processo de alfabetização a criança constrói várias hipóteses e simultaneamente precisa também viver a desconstrução para cada avanço nessa conquista. Esse difícil e emocionante percurso precisa estar regado com muito amor, confiança e presença por parte dos pais, pois representam o porto seguro, a calmaria e a estabilidade emocional.
Diante do processo como um todo, algumas situações podem prejudicar e mais do que isso, marcar de forma nociva o bom desempenho da criança.
Frases como: Ele é preguiçoso!
Pensa bem que você consegue!
Vai fazendo a lição que eu já volto.
Vou chamar o seu pai, já não aguento mais isso todos os dias.
Seu irmão não me deu tanto trabalho!
Essas entre outras, muitas vezes fazem parte do dia-a-dia da criança e causam além de mal estar, a sensação de impotência e também a frustração por não atingir a expectativa dos pais que é ler e escrever com autonomia.
Importante e interessante saber é que esse movimento comparativo é feito a todo instante por ela mesma em sala de aula, afinal vê os colegas que já estão em outra fase do processo, portanto, o sofrimento é internalizado e precisa ser resolvido com esse contexto favorável e que promova o acolhimento e principalmente a estabilidade emocional.
Na verdade, a alfabetização começa muito antes, e, o fato de brincar, posteriormente desenhar surgem também como uma antecipação ao momento mais formal da escrita e leitura.
Vigostky coloca de maneira clara essa passagem:
“Assim como no brinquedo, também no desenho o significado surge, inicialmente, como um simbolismo de primeira ordem. Como já dissemos, os primeiros desenhos surgem como resultados de gestos manuais (gestos de mãos adequadamente equipadas com lápis); e o gesto, constitui a primeira representação do significado. É somente mais tarde que, independentemente, a representação gráfica começa a designar algum objeto. A natureza dessa relação é que aos rabiscos já feitos no papel dá-se um nome apropriado”. (Vygotsky, 1998, p. 146).
Vivemos em busca do saber e isso gradativamente ao longo do desenvolvimento, vai sendo elaborado cada vez de forma mais sofisticada com as ferramentas que incorporamos junto com as experiências significativas.
O que os pais não podem perder de vista é o quanto cada palavra, gesto ou ação podem contribuir de maneira sólida para que a criança vá formando a autoestima e possa vivenciar com alegria e segurança essa fase de descobertas, concretizando assim, a aquisição do código linguístico com propriedade e autoconfiança.
Sabemos que é tênue a linha que separa a emoção e a razão nesse momento e por isso, os pais precisam recorrer à escola, abrindo o diálogo para que as possíveis dificuldades ou entraves que surjam no decorrer dessa linda fase da criança, possam ser divididos, minimizados e certamente resolvidos com a parceria e a certeza que iremos atravessar juntos um dos marcos mais significativos de nossa trajetória humana- APRENDER A LER E ESCREVER.
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Keila Frassei
Psicóloga e Pedagoga